Terça-feira, Novembro 29, 2005

DESENHADA: Wallpaper Design Awards nomeiam Casa da Música

O edifício da Casa da Música, no Porto é um dos nomeados para o Wallpaper Design Awards.

A notícia foi dada ontem por fonte da instituição, citada pelo Público, que forneceu a lista dos candidatos para Best New Public Building. Para além do edifício de Rem Koolhaas estão também nomeados o Young Museum, em São Francisco (EUA), da autoria de Herzog & de Meuron; o Millau Viaduct, em França, projectado por Foster and Partners; o MoMA (Museum of Modern Art), em Nova Iorque (EUA), de Yoshio Taniguchi; e o MUSAC, dos arquitectos Mansilla + Tuñón na cidade de León, em Espanha.

Os Design Awards são a forma que a revista Wallpaper encontrou para consagrar os artistas que mais se destacaram ao longo de um ano no Design e na Arquitectura. Para além da categoria Melhor novo edifício público, a Wallpaper atribui prémios a Melhor Aplicação doméstica; melhor designer de mobiliário do ano; melhor cidade; entre outros.
Os vencedores vão ser anunciados no dia 12 de Janeiro do próximo ano.

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

ANIMADA: Até nas Melhores Famílias

1º Ciclo de Cinema LGBT leva a Braga, desde ontem, desvios à heterossexualidade em película. Até ao próximo domingo.


O Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, em Braga, acolhe até domingo (dia 27) o ciclo de cinema Até nas Melhores Famílias. O evento começou ontem com o filme As Regras da Atracção, de Roger Avery, é organizado pelo Grupo Ex-Aequo Braga e afirma-se como o Ciclo de Cinema LGBT – leia-se lésbico, gay, bissexual e transgénero –, na sua primeira edição.

Com esta iniciativa, os organizadores aspiram à mostra de «cinco filmes que visam sensibilizar a sociedade em que vivemos para questões como a da homossexualidade, bissexualidade e transgenderismo e as vivências inerentes às mesmas», segundo o site oficial. Acrescentam que «por se assistir actualmente a uma discussão cada vez mais acesa sobre estas questões – muitas vezes acompanhadas por algum desconhecimento e até homofobia – este ciclo reveste-se assim de grande importância dando a conhecer sem tabus esta temática». Rematando, afirmam que se pretende «fomentar, deste modo, uma sociedade mais informada e menos discriminatória».

Com entrada livre, estão agendados para hoje Que Fiz Eu Para Merecer Isto?, de Pedro Almodóvar, e Antes que Anoiteça, de Julian, Schnabel, You’ll get over It, de Fabrice Cazeneuve, e Longe do Paraíso, de Todd Haynes, para os dias seguintes até domingo, respectivamente. A película que estreou o ciclo volta a ser exibida no seu encerramento.
No início de cada sessão, o relógio marca 22 horas.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

ANIMADA: Harry Potter enfeitiçado em receitas

O quarto filme da saga escrita por J.K. Rowling – Harry Potter e o Cálice de Fogo – bate máximos de receita na Grã-Bretanha e chega-lhe perto nos EUA.


Harry Potter e o Cálice de Fogo marca a história do cinema pelo seu fim-de-semana de estreia. O filme realizado por Mike Newell diz respeito ao quarto livro da série criada por J.K. Rowling e passou os 85 milhões de euros de lucro em 3858 salas de cinema norte-americanas, e 20,8 milhões de euros na Grã-Bretanha, nos dois dias do descanso ocidental.
Este é o filme das aventuras de Harry com maior receita desde o primeiro – Harry Potter e a Pedra Filosofal –, em 2001. Segundo o Diário de Notícias, em terras de Sua Majestade, esta é a estreia mais lucrativa de sempre, ultrapassando Guerra das Estrelas: Episódio III – A Vingança dos Sith. Nos EUA, no entanto, a película não conseguiu destronar o mesmo episódio da Guerra das Estrelas, Homem Aranha e Shrek 2.
O chefe de distribuição da Warner Bros. (estúdio produtor de Harry Potter e o Cálice de Fogo), Don Feldman, em declarações citadas pelo DN, afirma a propósito do sucesso do filme: «excedeu até as nossas expectativas» – a Warner previa lucro perto dos 76 milhões de euros. A produtora revelou ainda que Harry Potter atingiu o primeiro lugar de receitas nos 21 países em que se estreou na passada sexta-feira.

O novo episódio da saga de Potter estreia amanhã em Portugal. Itália, Espanha e Japão são os outros países que também contam com o Cálice de Fogo nas suas salas de cinema esta semana. França e Austrália, apenas na primeira de Dezembro.


Site Oficial

Segunda-feira, Novembro 21, 2005

ANIMADA: "Estórias do 20 na História do 21" embalam noites universitárias

Todas as quintas-feiras, pelas 22 horas, o primeiro ciclo cinematográfico "Estórias do 20 na História do 21" embala as noites universitárias no Estaleiro Cultural Velha-a-Branca. No âmbito das actividades do GACSUM, o Com'um cine organiza esta iniciativa que promete enriquecer o panorama cultural da cidade de Braga.

Durante o período de aulas, diferentes ciclos temáticos relacionados com o programa da Licenciatura de Comunicação Social são apresentados ao público. As primeiras películas estão relacionadas com as mais importantes estórias do século passado que marcam a história sócio-política e cinematográfica do século XXI. “Couraçado de Potemkin” e “O Grande Ditador” foram as primeiras obras exibidas que contaram com a presença do QQ.
No passado dia 10 de Novembro, o Com’um Cine embarcou para a sua rota com o “Couraçado de Potemkin” do realizador Sergei M. Eisenstein. Mudo e a preto e branco, o filme russo coloriu uma assistência com cerca de 30 pessoas que decoraram a sala do 2º piso da Velha a Branca. A sessão teve início com uma apresentação guiada por José Manuel Lopes Cordeiro, docente das cadeiras de História do séc. XX e de História Contemporânea de Portugal da Universidade do Minho. O professor abordou o contexto social e político da Rússia em 1905, bem como a marca de Eisenstein na história do cinema mundial. Segundo José Cordeiro, “Couraçado de Potemkin é uma referência do cinema que, em 1958, foi considerado pela Exposição Internacional de Bruxelas como o melhor filme de todos os tempos e de todos os povos". Trata-se de um filme que foi encomendado por Estaline, em 1925, para comemorar o aniversário da revolução russa. Baseado numa revolta de marinheiros ocorrida em 1905, esta obra de Eisenstein foi uma âncora da propaganda soviética, alertando para as injustiças e opressões czaristas e exaltando o poder colectivo das revoltas populares. O filme acaba por se tornar numa obra-prima que conquista a crítica mundial, apesar da censura que foi alvo e das dificuldades de exibição na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da América. Com raras apresentações em Portugal, as poucas exibições do filme decorreram em circunstâncias muito especiais e para públicos restritos. O público privilegiado do Com’um cine pôde contemplar o drama do “Couraçado de Potemkin” durante os 75 minutos.
Apesar dos escassos recursos técnicos da época, Eisenstein afoga os espectadores num mar de imagens que espelha injustiça, revolta, heroísmo, drama e revolução. Nas cinco partes a realização mergulha o público em planos e montagens que afundam a memória da palavra: uma quilha a balouçar liberdade, uma mãe com o peso da morte nos braços, uma escada que rola ira, a esperança que atraca…
corpos que…
________________________________Imagem… só imagens.

Um puzzle de figuras de estilo que as palavras não conseguem encaixar. Sem diálogos. Sem vozes. A imagem é a protagonista que contracena com a música e com as representações dos actores bem afinadas. “Objectos carregados de almas e almas carregadas de ideias. As imagens são parábolas e símbolos de uma ideologia que se cria e toma forma” é assim que Eisenstein define e coloca em prática o seu conceito de imagem. Foi mais um notável pintor que revolucionou a 7ª arte por querer “fazer imagens que brilhem com um sentido profundo, muito além do que elas mostram, como se o objecto ou facto representado fosse o sinal de um desejo…o sinal no qual o Homem se possa reconhecer, pelo menos quanto às metas que tiver fixado.”


“Estórias do 20 na História do 21” abalam noites universitárias

Embalado para mais estórias, o público manteve-se fiel e no dia 17 acorreu ao Estaleiro Cultural Velha-a-Branca , desta vez para desfrutar de uma das mais famosas comédias de Chaplin: “O Grande Ditador”. Convidado pelo Com’um cine, Rui Chaby – co-autor enquanto Harry Madox do blogue Duelo ao sol - fez uma apresentação da obra cinematográfica do realizador britânico.
Apesar dos primeiros filmes sonoros terem invadido as salas de cinema nos anos 30, Chaplin manteve-se fiel à melodia da imagem ao realizar, em 1936, “Tempos Modernos”. No entanto, o divórcio com o cinema mudo deu-se com uma sátira ao fascismo: “O Grande Ditador”. Este filme foi realizado em 1940 – em plena II Guerra Mundial - e conta com a interpretação de Chaplin nos papeis do ditador Hynkel - um alter-ego de Hitler - e de um barbeiro sósia. Segundo Chaby, a forma como o realizador criticou os acontecimentos da época foi uma arma utilizada contra a guerra. Longe de adivinhar a dimensão do genocídio e das atrocidades cometidas aos judeus, Chaplin, segundo o orador, “dificilmente iria realizar o filme com a mesma carga cómica no pós-guerra”. Muitos foram as películas baseadas na II Guerra Mundial, mas – à excepção de “La Vitta è Bella” de Roberto Benigni – poucas retratam esse período histórico através da sátira. Além disso, os protagonistas da estória foram personagens com as quais o público contracenava dia-a-dia e que vieram a marcar a história do século XX, facto que reforça o impacto que o filme teve na altura e a coragem na sua produção.
Ainda com resquícios do humor e da técnica do cinema mudo, o actor brinda o público com uma crítica mordaz ao período nazi. Em pleno cenário de guerra, o mimo da bengala e chapéu transforma-se num combatente que acaba por salvar o inimigo. De regresso a casa, Charlot volta à sua barbearia onde é vítima de perseguições anti-semitas e de uma paixão vizinha que o mantém em combate. Do outro lado da trincheira, Hynkel urra discursos para as massas, trepa pela ambição, enrola-se na luxúria, enrosca-se entre a cobardia e baila com um globo que sonha domar. O pesadelo ameaça torna-se realidade, mas o barbeiro e o ditador acabam por trocar de papéis e no fim é o realizador que rompe a tela e protagoniza o duelo final com os espectadores.
Embalado entre cadeiras e mantas o público recupera o abalo da história. A imagem prossegue em mais estórias.


Próxima tela: “Appocalipse Now Redux”.
Inauguração: 1 de Dezembro às 22 horas.
Pintor: Francis Ford Capolla.
Galeria: Estaleiro Cultural Velha-a-Branca
Museu: Com'um cine

DESENHADA: Otário Doing na Póvoa de Varzim?

O espectáculo Otário Doing vai estar no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim, no dia três do próximo mês.

Otário Doing conta a história de uma turista inglês que vem de férias a Portugal. As peripécias por que ele tem de passar servem de pretexto para a alusão a vários lugares comuns da cultura e mentalidade portuguesas.


No site oficial, o encenador da peça Filipe Crawford afirma que esta possui uma «forte componente mímica e figurativa», estabelecendo um paralelismo com as artes plásticas. Os actores interpretam os seus papéis com máscaras criadas por Renzo Antonello. É também evidente a constante alusão à linguagem da banda desenhada. Crawford refere ainda que Filipe Abranches, desenhador e argumentista de banda desenhada «propõe uma abordagem bem humorada do tema que é tratado aqui ao estilo dos cartoons e tiras de BD».
Otário Doing pode ser visto por 5€, com desconto para juniores, seniores, magotes com mais de oito e pessoas portadoras de deficiência. Para estes o bilhete custa 3,75€.

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

CAPTADA: Lomografia na Mouraria

O Teatro Taborda, em Lisboa, recebe a exposição e o lançamento da agenda de nome comum – 51% LOMOgrafia – a 19 de Novembro. A tangente entre a fotografia e a lomografia é o pretexto para uma iniciativa que se estende até ao início do próximo mês.


51% LOMOgrafia é título para exposição a ser inaugurada e agenda a ser lançada no Teatro Taborda, em Lisboa, no próximo 19 de Novembro, às 23 horas. A iniciativa nasce do desafio proposto pela Embaixada Lomográfica a três fotógrafos e três fotojornalistas portugueses – José Pedro Tomaz (Focus), Luis Barra (Visão), Paulo Pimenta (Público), Daniel Pires, Miguel Saavedra e Sónia Galiza –, a fim de juntar fotografia e lomografia.
Os trabalhos desenvolveram-se com a perspectiva de uma proporção 51-49. A primeira porção resulta de uma «selecção cuidada de imagens» do arquivo lomográfico conseguido ao longo dos vários concursos e eventos desde 2000, em Portugal, e com «lomografias dos quatro cantos do mundo». A segunda, de trabalhos pessoais produzidos com qualquer género de máquina.

Em comunicado – chegado ao QQ via Maus Hábitos –, a Embaixada Lomográfica de Lisboa remata, em jeito de convite, afirmando que «através das várias exposições, publicações e de um design próprio, também entre nós, a lomografia começou a ser conhecida como uma entidade cultural».

A exposição continuará patente no Teatro Taborda, situado no bairro da Mouraria, até 2 de Dezembro de 2005. A entrada é livre; e apenas permitida até às 24 horas no dia inaugural.

Terça-feira, Novembro 15, 2005

MUSEU: Salvador Dali

Geopoliticus Child Watching the Birth of the New Man (1943)


Painted during his stay in the United States from 1940 - 1948, Geopoliticus Child Watching the Birth of the New Man initiates Dalí's classic period. The ideas for Dalí's classic works were derived from a variety of sources, including contemporary events, his Spanish heritage, and Catholic symbolism, replacing much of the personal symbolism of his surrealist period.

(...)


Vulto do movimento surrealista da primeira metade do século XX, Salvador Dali é um marco na história da pintura, de Espanha. Estudou na Academia de San Fernando, de onde foi expulso pouco depois dos exames finais – declarou que não existia ali ninguém suficientemente competente para o avaliar. Privou com Pichot, Pablo Picasso – de quem lhe falara Joan Miró –, com o cineasta espanhol Luís Bruñuel e o poeta Garcia Lorca – de quem foi amante.
Fora a sua obra de peso no surrealismo, e mais tarde no classicismo, Dali experimentou outros espectros da tela como o cubismo e o dadaísmo. Tinha por musa Gala Eluard, esposa que roubou, em 1929, ao poeta surrealista Paul Eluard.
Em 1939, foi expulso do grupo surrealista parisiense, ao qual pertencia há 10 anos, por razões políticas. Afirmou, à saída: «O surrealismo sou eu».
Andy Warhol aclamou-o como influência importante da pop art. Já decorriam os seus últimos anos de vida – para ambos, Warhol bem mais jovem.

Nasceu Salvador Domenec Felip Jacint Dalí Domenech a 11 de Maio de 1904, em Figueres, na Catalunha, Espanha. O outro lado, a morte, chegou a 23 de Janeiro de 1989; de novo em Figueres, onde está sepultado no Teatro-Museu.

Fonte: Wikipédia


Espaços online:
Fundació Gala-Salvador Dali :: Salvador Dali Art Gallery ::
Salvador Dali Museum :: The Salvador Dali Gallery ::

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

DESENHADA: Bárbara Assis Pacheco expõe Autor H na Assírio & Alvim

Autor H é a nova exposição individual de Bárbara Assis Pacheco, a ser inaugurada amanhã na Livraria Assírio & Alvim, em Lisboa. A mostra consiste em cinco séries de desenhos, para a vista do público até 9 de Dezembro.


A exposição Autor H, de Bárbara Assis Pacheco, inaugura amanhã, dia 10, na Livraria Assírio & Alvim de Lisboa, pelas 19 horas. Patente até ao próximo 9 de Dezembro, a exibição é composta por vários desenhos de animais, divididos em cinco séries.

Os trabalhos não estão nomeados, com a excepção da série Courrier Dogs, pois «precisa de título que lhe dê um outro nível referencial e para que não fique apenas no nível técnico», como afirma a autora, em comunicado via Assírio. Bárbara Assis Pacheco revela ainda que «à primeira vista pode apenas ver-se desenhos agradáveis de animais às cores como bonecos, astronautas, ou apenas de radiografias, como é o caso de Courrier Dogs, ratos cor-de-rosa, ou um cacho de bananas. Mas, com mais atenção, tornam-se desagradáveis quando se repara nos fios a saírem da cabeça de macacos, que os baloiços estão em jaulas, que há um rectângulo branco na radiografia ou uma orelha humana nas costas dos ratos cor-de-rosa».

Esta é a terceira exposição individual da artista, depois de Serial Animal Killer, em 2004, e De Partibus Animalium, em 2002, voltando a recorrer a um espaço na capital. A Livraria Assírio & Alvim, na Rua Passos Manuel, abre as portas da exposição ao público de segunda a sexta, entre as 10 e as 13 horas e, à tarde, entre as 14 e as 19.

Bárbara Assis Pacheco expõe desde 1997. Entre mostras individuais e colectivas, já encheu 14 galerias com os seus trabalhos, entre as quais as do Centro Cultural de Belém e do espaço Maus Hábitos, no Porto. Dois primeiros prémios já lhe foram atribuídos, em 1998 e 2003.
A artista nasceu em Lisboa, em 1973, onde vive e trabalha. É licenciada em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, possui o Curso de Desenho e Curso Avançado de Artes Plásticas do Ar.Co e frequenta o curso de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Tinta de relógio

A Biblioteca Pública de Braga calçou os alunos da Licenciatura em Comunicação Social da Universidade do Minho de interesse no seu Depósito Legal, construído desde 1932. O Largo do Paço, em Braga, substituiu o ponto de encontro sala de aula, no passado 19 de Outubro, para passear os olhos pelas páginas de há muito. E tocar.


Um século de história das estórias de ontem e de hoje. Este foi o mote para a deslocação de alguns alunos do 3º ano de Jornalismo da Licenciatura em Comunicação Social da Universidade do Minho ao Arquivo Legal da Biblioteca Pública de Braga, no último 19 de Outubro. Manuel Pinto, Sara Moutinho e Luísa Ribeiro, responsáveis pela cadeira, abriram as portas à iniciativa.
O edifício de inegável valor histórico foi apresentado e explicado de fora para dentro. Sob as palavras do Eduardo Pires de Oliveira, historiador de arte e funcionário da Biblioteca, o Largo do Paço foi etapa de partida. O formato em U e as pequenas diferenças arquitectónicas são explicadas na construção trifásica e posteriores restauros, deixou transparecer Pires de Oliveira, de carácter questionável.

Do século XIX, Commercio do Minho
A visita, que incluiu a passagem por espaços habitualmente não acessíveis ao público, incidiu sobre a evolução da imprensa portuguesa. Numa viagem que se tornou num exercício de comparação dos escritos jornalísticos de outrora – tendo como base sólida os conteúdos da imprensa de hoje –, um dos achados foi o Commercio do Minho de 1893. Um periódico sem imagens, com alguns anúncios, sem uma paginação perceptível. Foi um jornal com vista para as bancas três vezes por semana. As notícias eram separadas – de uma forma bastante confusa – em cinco colunas. Assumia-se como um dos pólos de informação do Minho de então.

Jornal de Notícias: da desorganização às revolução
Meio século depois, e numa apreciação do Jornal de Notícias de 1955, nota-se um pequeno avanço; o que, em relação aos dias de hoje, ainda se mantém longe daquilo que é a imprensa. De registar a mistura de temas com o encadeamento de notícias sem qualquer divisória. Na redacção das notícias nota-se o uso notável de diminutivos e adjectivos e a expressão de emoções e sentimentos.
Era período muito marcante em Portugal, onde o dito lápis azul dirigia a seu bom termo as informação da época. Um facto detectado na tinta pelas mensagens anticomunistas expressas na parte frontal do periódico.
Por partes, a primeira página era marcada por notícias que hoje não teriam o mesmo espaço de destaque; as imagens estão divididas entre desenhos (cartoon) e fotografias; as letras têm uma só cor: preto; uma crónica e um exagero de breves; a paginação continua desorganizada.
Vinte anos depois, em pleno período de revolução, o mesmo Jornal de Notícias – em 1975 – transporta para primeira página chamadas e orelhas. Há agora a divisão de temas e regiões; a percepção que o branco sobre o preto chama a atenção dos leitores; os textos inserem-se numa espécie de caixa, numa tentativa de organização de páginas. Nota dos classificados: um com formato semelhante ao de hoje.

Diário de Notícias: irmão do tempo do Jornal de Notícias
Numa vista de olhos pelo Diário de Notícias de 1955, as semelhanças com o JN do mesmo tempo são notórias. Apenas destaque para o uso da cor vermelha nas divisões de texto e uma linguagem um pouco mais trabalhada.
O de 1975 apresenta um comunicado do próprio jornal em primeira página; assinalam-se mais fotografias e manchetes. As notícias começam a ser maiores na época, no entanto, mantém-se uma paginação confusa. Há a distribuição de notícias por zonas geográficas e bastante publicidade a viagens; aqui já existe um sistema perceptível de classificados e deixa-se de utilizar os diminutivos e adjectivos na redacção de texto jornalístico.


A Biblioteca Pública de Braga é fundada em 1841 e integrada na Universidade do Minho em 1975. 53 incunábulos e cerca de 400 obras do séc. XVI são algumas das preciosidades do seu património bibliográfico, que conta ainda com livrarias particulares e espólios de algumas personalidades bracarenses, tal como Manuel Monteiro, Carrington da Costa, Victor de Sá e Miranda de Andrade, num total a superar os 500.000 volumes. A Biblioteca é beneficiária do Depósito Legal desde 1932, acumulando mais de 27.000 títulos de publicações periódicas.

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Princípios editoriais

O Quarto Quadro nasce no âmbito da disciplina de Jornalismo do 3º ano da Licenciatura em Comunicação Social, da Universidade do Minho.

O QQ tem como objecto de notícia a imagem. Banda desenhada, cinema, ilustração, fotografia e pintura são as fracções da arte tratadas no QQ, sob as cinco secções designadas por: Desenhada, Animada, Ilustrada, Captada e Pintada, respectivamente – remetendo sempre para a imagem.

O QQ não tem como principal objectivo a manutenção diária da actualidade, própria da blogosfera e a quase globalidade do espectro informativo da Internet. Assume-se como oficina para estudantes de jornalismo, sujeito a uma avaliação dos docentes e responsáveis da cadeira.

O QQ acredita poder ser mais que apenas um eco dos media tradicionais e das fontes por estes utilizadas.

O QQ não baliza os seus redactores com linhas de estilo, visto ser uma oficina onde cada elemento é avaliado individualmente.